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::: PALAVRAS e PREGAÇÕES
21/07/2004 - A restauração do pecador. Sl 51
criado por: Administrador em: 3/10/2007 8:24:30 PM
[Original]
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A RESTAURAÇÃO DO PECADOR– Salmo 51
O Pr. Leonardo tem falado bastante sobre pecado e santidade. Eu vou tomar carona no assunto para abordar princípios de restauração para o pecador. Nessa intenção, vou tomar por base o Salmo 51, quando Davi rasga a sua alma diante de Deus após pecar e ser confrontado por Natã acerca do seu adultério com Bate-Seba e o conseqüente homicídio do marido dela, Urias.
Veja que não estamos tratando de um pecado e nem de um pecador qualquer. Não que exista pecado mais grave ou maior do que outro e nem um pecador que seja tratado de forma diferente por Deus. Mas, de certa forma, essa história toma ares de magnitude por causa do seu protagonista, Davi, o Rei de Israel, o homem segundo o coração de Deus, alguém que vivia o esplendor da glória humana, o ápice da sua vida, em todos os sentidos, mas que não foi poupado pelo pecado. Também toma vulto por causa das atitudes que ele tomou, que foram de desejar a mulher alheia, consumar o adultério e buscar formas, jeitinhos para esconder o seu pecado.
Se o pecado não poupou Davi, o que podemos dizer quanto a nós. Daí a necessidade urgente de tomarmos consciência de quatro coisas:
1- Todos estamos sujeitos a pecar, pois como o próprio Davi diz: Eu nasci na iniqüidade e em pecado me concebeu a minha mãe”. (v.5)
2- Pecado não somente diz respeito à realidade externa, mas, também à interna. Davi diz: “Eis que te comprazes na verdade no íntimo e no recôndito me fazes conhecer a sabedoria” (v.6)
3- É preciso reconhecer o pecado e a condição de pecador. “Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim” (v.3) Não há nada pior para o pecador do que o massacre diário da acusação do pecado.
4- É preciso conscientizar-se e aceitar que só pela compaixão, benignidade e misericórdia de Deus podemos ser livres do pecado. “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões” (v.1)
Quando tomamos consciência destas verdades, aí, sim, estamos prontos para o processo de restauração. É um processo, que tem vários passos interligados. Nenhum deles pode ser pulado. O erro de muitos é o de passar por esses passos isoladamente. Que passos são esses?
1- v. 7 – “Purifica-me com hissopo e ficarei limpo; lava-me e ficarei mais alvo que a neve.”- Aplicada à misericórdia, Davi ainda se sentia como um leproso, indigno, impuro, separado. Aqui ele invoca a necessidade de um processo previsto lá em Lv. 14:1 a 7 – o da purificação e da retomada de vida do leproso declarado curado. O leproso não podia se autodeclarar limpo. Deus estabelece que o sacerdote é que teria de efetuar a cerimônia da purificação. Era uma cerimônia interessante: O sacerdote examinava o leproso fora do arraial, para ver se a lepra estava curada, pegava duas aves vivas, fazia um pincel com cabo de pau de cedro, pegava a folhagem de um arbusto chamado hissopo e a amarrava ao cabo com estofo carmesim (um pano vermelho), mandava imolar uma das aves numa bacia de barro e sobre águas correntes (um riacho ou uma fonte), tomava a ave viva e o pincel de hissopo e os molhava no sangue da ave que foi sacrificada, espargia esse sangue sete vezes sobre o que buscava a purificação, declarava-o limpo e, depois, soltava a ave viva em campo aberto.
Era a esse processo que Davi estava se referindo. Um processo do Antigo Testamento, referente ao povo de Israel e da época da Lei. Mas esse também era uma sombra de realidades espirituais que se referem ao tempo de hoje. Dele destacam-se alguns aspectos: Ninguém pode se autodeclarar puro – a importância da igreja, do sacerdócio, da aplicação do rito da purificação, mediante a declaração de que crê na compaixão, benignidade e misericórdia de Deus, é imprescindível. Veja os elementos: sacrifício de sangue (Jesus), sobre vaso de barro (homem), em cima de águas correntes (Palavra), aplicação do sangue no purificando (quem faz é o sacerdote) e sobre a ave viva (expiação – leva o pecado embora), para declará-lo puro (nova vida).
Essa declaração do sacerdote é importantíssima!
2- v.10a – “Cria em mim, ó Deus, um coração puro...”- Que revelação maravilhosa! Com a consciência de que nascemos em pecado, vem, também, a certeza de que tudo em nós está corrompido, misturado. O pecado fez isso. Misturou, corrompeu, envenenou, contaminou o nosso coração. Como conseqüência, a Bíblia diz que esse coração contaminado ele é: teimoso; propenso à extorsão e excessos; corrupto; origem de todo mal; fonte de incredulidade e cobiça; odioso a Deus; repleto de más imaginações; inteiramente inclinado para o mal; desesperadamente mau; longe de Deus; não perfeito perante Deus; não preparado para buscar a Deus; enegrecido; inclinado para o erro; impenitente; incrédulo; cego; incircunciso; de pouco valor; enganador; iludido; dividido; falso; duro; orgulhoso; influenciado pelo Diabo; carnal; cobiçoso; desprezador; armador de armadilhas; insensato; perverso, idólatra; louco; iníquo; altivo; rebelde; ruim; obstinado; empedernido, arrogante; dado à indulgência sensual; engrandecido com a prosperidade; planeja a destruição; enfurecido; insensível.
Como fugir desse coração. Só com um novo, criado por Deus! Muitos passam pelo processo do hissopo, mas param por aí, continuando com o coração misturado, envenenado. Resultado: logo adiante caem de novo, e de novo, e de novo... Esse foi o problema de Israel no deserto. O coração não foi trocado.
É preciso fazer essa oração: “Cria em mim um coração puro”. Como é esse coração? A Bíblia diz: Preparado para buscar a Deus; fixado sobre Deus; alegre em Deus; perfeito perante Deus; reto; puro; limpo; terno; sincero; honesto; bom; quebrantado, contrito; obediente; repleto da lei de Deus; temente à palavra de Deus; tomado pelo temor de Deus; meditativo; circunciso; vazio de medo; desejoso de Deus; expandido ou alargado para os outros; fiel a Deus; confiante em Deus; simpático e simpatizante; dedicado à oração; inteiramente dedicado a Deus; zeloso; sábio; um tesouro do bem.
Nenhum homem pode criar em si mesmo esse tipo de coração. Eu creio que quando Deus olhou coração de Davi, lá na escolha para o reinado Ele já via esta capacidade de um pedido como este. Foi por isso que Davi pôde ser chamado de “o homem segundo o coração de Deus”.
3- v. 10b – “...e renova dentro em mim um espírito inabalável.”- o pecado abala a nossa confiança espiritual. Quem está fazendo essa oração é aquele que disse ao gigante: “Tu vens contra mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado. Hoje mesmo o Senhor te entregará na minha mão...” (I Sm 17:45 e 46). Também é Deus que renova em nós essa confiança para orar, para ministrar com autoridade, expulsar demônios, para não se atemorizar de más notícias (Ex. espias judeus). Como citou o Fábio falando sobre Calebe, esse espírito inabalável é um “espírito diferente” (Nm 14:24), um espírito perseverante em crer no Senhor.
4- v.11 – “Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Espírito Santo”. – O pecado faz separação entre Deus e o homem. Davi teve privilégios com Deus que talvez poucos outros homens da sua época tiveram. Davi erigiu um tabernáculo em Gibeon, no qual não havia separações entre o homem e o seu Deus. Davi experimentou a presença do Espírito Santo, especialmente para inspirá-lo a compor os salmos. De repente, vem à memória dele aquela cena de Adão e Eva sendo expulsos do jardim do Éden. Ele sentiu-se alguém repulsivo a Deus! Daí o clamor com essa intensidade. O pecado afasta-nos de Deus e afasta Deus de nós.
É claro que a nossa situação é diferente da de Davi e da de todos os outros homens do Velho Testamento. Lá o Espírito Santo não havia sido derramado, ele não era selado com o Espírito Santo, não era habitação, morada, do Espírito de Deus. Hoje é diferente: não nos repulsa da sua presença, mas o nosso pecado entristece o Espírito Santo e pode apagá-lo em nós (I Ts 5:19).
O crente tem o privilégio do acesso à presença de Deus (Hb 10:19 a 25), entretanto o viver deliberadamente no pecado, depois de experimentar o pleno conhecimento da verdade, resulta em juízo e castigo eterno de Deus (26 a 31).
É preciso orar assim, com essa intensidade.
5- v. 12a – “Restitui-me a alegria da tua salvação...”- A Bíblia diz que Jesus foi ungido com óleo de alegria. A unção da alegria está intimamente ligada à salvação. Em outras palavras, há unção naquele que se alegra constantemente na salvação proporcionada pelo sacrifício de Cristo. O inimigo sabe disso e investe pesado para nos roubar essa alegria. Quando pecamos, aí é que damos munição para ele. Ele usa todas as armas: culpa, acusação, prisão.
Só que isso é indevido. Davi entendeu que somente Deus poderia restituir aquilo que fora levado indevidamente! Jesus é o nosso advogado junto àquele que pode nos restituir (I Jo 2:1 e 2).
6- v. 12b- “...e sustenta-me com um espírito voluntário”. – O que levou Davi a se colocar numa situação como aquela foi a indolência. No ápice do seu reinado, “no tempo dos reis saírem à guerra”, ele ficou. À vontade no palácio, viu, cobiçou e possuiu Bate-Seba. Muitas vezes o que sustenta o crente e o livra de pecar é o seu envolvimento. Por outro lado, quando peca, é muito comum afastar-se de fazer o serviço do Reino. Davi sabia do que estava falando. A falta de voluntariedade foi a cilada que o fez pecar. Ele sabia que o seu sustento para não cair em outra situação daquela dependia de ser sustentado efetivo no serviço de Deus.
Veja que é um processo completo. Nada pode ficar de fora. Talvez você tenha passado por alguma das fases. Mas o Senhor está abrindo os seus olhos nesta noite para a necessidade de se mergulhar em todas elas.
Que Deus nos abençoe!
Pastor Nilton Neto
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