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O projeto de alcance do povo Soninke surgiu com base no Movimento AD 2000, que ocorreu em julho de 1990 - esforço mundial para alcançar todos os povos da terra até o final do século XX e inspirado também na publicação, pelo Serviço de Evangelização para a América Latina, do livro que divulgou o "Projeto Adote um Povo".

A Consulta de Seul
Em 1995 aconteceu na capital da Coréia do Sul, uma conferência de âmbito mundial para debater o tema Missões. O encontro aconteceu em resposta à convocação do Movimento AD 2000, para chamar a atenção da igreja cristã aos povos ainda não evangelizados, principalmente os localizados na chamada Janela 10/40.
Janela 10/40 é uma enorme faixa que vai do oeste da África até o leste da Ásia entre os paralelos 10 e 40 acima da linha do Equador, cujas dimensões correspondem a um terço da área total da terra e onde se concentram quase dois terços da população do planeta. As religiões ali predominantes são o islamismo, o hinduísmo e o budismo.

Projeto Soninke
Em 1997 a Igreja de Nova Vida do Guará, em conjunto com outras igrejas do Distrito Federal e Goiás e com a Associação Missionária para Difusão do Evangelho – AMIDE, elaborou o projeto de adoção esse povo, com o objetivo implantar uma igreja evangélica que possa se tornar autônoma e infundir ali a visão missionária, para que o evangelho se espalhe, por meio dos próprios nativos, para os Soninkes de outros países.
O projeto piloto foi implantado numa tabanka (aldeia) localizada em uma região que apresenta grande concentração de soninkes, sem outras etnias por perto.

Pacto de adoção
Em novembro de 1997, todas as cinco igrejas vinculadas e a AMIDE assumiram pública e oficialmente seu compromisso para com o Projeto, firmando o pacto de adoção.

Os Soninkes - Onde estão e quantos são
São cerca de 1,8 milhão de soninkes distribuídos em cerca de dezesseis países da África. O grupo de soninkes de que trata o Projeto de adoção se localiza na região ocidental do continente, especificamente em Guiné-Bissau.

A vida religiosa
A religião adotada é a muçulmana, a qual são extremamente fiéis. Apesar disso, são ao mesmo tempo extremamente supersticiosos quanto às tradições animistas (crença de que almas e espíritos animam todas as coisas, vivas e inertes, do universo). Nas cidades e nas tabankas as crianças são feitas discípulas dos líderes religiosos para estudar o Alcorão (livro de fé do islamismo) na língua original, o árabe. O islamismo se caracteriza pelo zelo levado a tão intensa expressão por parte de seus adeptos, a ponto de torná-los ferozes perseguidores de seus contrários e matá-los se necessário.

Os trajes
A influência islâmica se faz sentir também nos trajes dos soninkes: vestimentas em estilo árabe, chamadas bubu, que vão abaixo dos joelhos e geralmente com mangas compridas, alguns cobrindo a cabeça com um gorro que simboliza submissão a Alá. Em razão do intenso calor, nos meses mais quentes as mulheres trazem a parte superior do corpo descoberto.



A língua

A principal língua entre os soninkes é a materna, o soninke, que entre eles é conhecida como sarakullê, falada por toda a população dessa etnia. Na tentativa de falar a língua oficial do país, os nativos adicionam palavras de suas diversas línguas tribais. Dessa mistura surgiu o crioulo, que se tornou a língua comercial e a mais falada. Poucos, no entanto, chegam a falar bem o crioulo.

Atividades econômicas
Os soninkes dedicam-se à criação de caprinos e ovinos, principalmente para fornecimento de carne. A criação de bovinos é bem pequena. A atividade agrícola está voltada para o cultivo de milho, amendoim, laranja e caju, que se restringem ao tempo das chuvas.

Hábitos alimentares e a saúde
Os soninkes têm habitualmente três refeições diárias, o que não é a realidade de muitos dos demais habitantes do país
· primeira refeição - é geralmente o mone, ou fone, espécie de mingau feito de fubá de milho preto, típico da região, ou do milho amarelo.
· segunda refeição - o almoço é milho preto socado ou o arroz, servidos com mafe - um tipo de molho feito de caldo de amendoim além de pedaços de peixe ou carne de bovino, de caprino ou de ovino. Tais carnes, no entanto, são consumidas raramente, dada sua escassez e porque as famílias normalmente são muito numerosas.
· terceira refeição - no jantar, se há condições para tal, faz-se um prato semelhante ao do almoço.

Meios de transporte
O meio de transporte mais comum no interior são as candongas, velhos caminhões ou camionetas adaptados, no estilo bóia-fria do Brasil. Neles transportam até bodes e cabras, além da bagagem habitual.

Usos e costumes sociais
A poligamia faz parte da cultura do homem soninke. Já a fidelidade conjugal em relação às mulheres é levada muito a sério. Se uma esposa trai o marido, pode vir a ser abandonada, deixada sem nenhum amparo, e passa a ser desprezada por todos. As mulheres soninkes são, em geral, muito desprezadas, e não podem participar de reuniões dos homens. Suas funções são cuidar da casa, do marido e dos filhos.

Pioneiros do Projeto
Edina Aparecida (Cida) - missionária da AMIDE que atuou na linha de frente do projeto.
Dalva - missionária da Associação Lingüística Evangélica Missionária – ALEM que participou dessa fase inicial, durante o ano de 1997.
Pastor Júlio César Melo, Joaline e Filhos - missionários da AMIDE, hoje lideres do projeto de alcance do povo.


Edina e Biová - missionária pioneira do Projeto Soninke

Família Fafé - missionários Julio, Márcia e o filhinho Lucas

Família Melo - Pr. Julio César, Joaline e os filhos Rebeca, Jadiel e Ruben

VEJA A GALERIA DE FOTOS DO POVO SONINKE

Obreiros nativos
A escola contou com dois professores nativos: Djarga, professor da língua soninke, que foi o primeiro convertido como fruto do trabalho, e Julio Fafé, responsável pelo ensino das outras disciplinas.

Infraestrutura do Projeto
O projeto conta uma casa residencial, uma escola e um poço, na tabanka escolhida; um terreno na capital, onde se iniciou a construção de uma casa; e um veículo.
· A escola da missão é a única do país a ensinar sua língua natal, o soninke. Praticamente todos os alunos alfabetizados já lêem e escrevem em Soninke.
· A casa residencial da aldeia, distante 100 metros da escola, abriga uma família missionária. Um dos cômodos serve de farmácia para atendimento a enfermos da região.
· No contexto da região, o poço, com vinte metros de profundidade, se mostra como peça vital para a vida do Projeto. É indispensável ao mínimo de condição de sobrevivência da população da tabanka.
· A horta - A escassez de água é de tal ordem na região que, na época da seca, nada se planta. O plantio só se dá no tempo das chuvas, quando então se concentram as energias nas culturas de necessidades básicas. O plantio habitual é de jiló, quiabo e, às vezes, tomate e baguite (uma verdura parecida com quiabo).

 

 

 

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